A ex-presidente do Chile e atual diretora-geral da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, encontrou a deputada Perpétua Almeida em audiência, em Brasília, numa agenda temática para discutir mecanismos que possibilitem a ampliação do número de mulheres no parlamento e nas chefias de governo.
“Sem aumentar a participação das mulheres nos espaços de poder a reforma política em discussão no congresso nacional jamais alcançará o seu objetivo democrático”, discursou a parlamentar acreana, que protestou: “aqui no Brasil as mulheres são responsáveis pelo sustento de 40% das famílias e têm um nível de escolaridade superior ao dos homens, porém possuem salários 30% inferiores aos deles”.
No encontro, do qual várias mulheres com mandato também se fizeram presentes, a parlamentar acreana esclareceu o entendimento do seu partido, o PCdoB, e a posição favorável à luta encampada, dentre outras entidades de classe, pela Associação de Mulheres Brasileiras (AMB), que propõe, durante disputas eleitorais, a composição de listas fechada com alternância de sexo. A mensagem pró-inclusão da mulher nos espaços de poder tem sido compartilhada por outros partidos como PT, PSD, PV, PSOL, PDT.
Bachelet elogiou a insistência da Bancada Feminina e lamentou que apenas 19% dos parlamentos no mundo seja composto por mulheres e 10% de chefes de governo. Segundo ela, os países que adotaram esse sistema observaram crescimento significativo na participação feminina no parlamento. A ex-presidenta chilena citou como exemplos positivos o Uruguai e Argentina.
“A igualdade de oportunidade para todos e todas é um lema que precisa ser considerado na reforma. A participação política das mulheres no país é intensa, apesar de o sistema eleitoral e os partidos políticos terem sido construídos numa conjuntura em que o sexo feminino não tinha direito a voto. Mesmo assim elas são maioria do eleitorado, estão em grande número nas bases sociais dos partidos, assessorias, coordenações de campanhas e de mandatos. Infelizmente, elas são sub-representadas em atuação política. Isso porque os partidos não cumprem sequer as cotas para candidatas, ainda representando politicamente um modelo de sociedade machista e paternalista”, disse Perpétua Almeida.
“Uma reforma política só se justifica na medida em que amplie a liberdade partidária e o leque de opções ideológicas e políticas disponíveis à escolha do eleitor. Lutamos por uma uma reforma que aprofunde a democracia enquanto modo de governar com a participação mais abrangente possível do povo e de respeito à representatividade das minorias”, finalizou a deputada.
Presente ao evento, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), classificou de vergonhosa a atual representação brasileira no Congresso. Dos 513 deputados brasileiros, apenas 45 são mulheres e, no Senado, dos 81 parlamentares, 12 são senadoras.
As parlamentares solicitaram à diretora-geral da ONU maior intercâmbio com os parlamentos no mundo para ampliar o debate sobre “a mulher na política”. Elas ressaltam ainda que em muitos países, a exemplo do caso brasileiro, é preciso investir pesado no combate às desigualdades sociais, fundamental para resolver os problemas de gênero.